
Meu amigo tem um celular superhipermega, aliás, superhipergiga incrível. O celular do cara tem tudo que se pode imaginar e, até coisas que nunca imaginei, agregado em seu sistema operacional. O aparelho é um cruzamento de iPad com Jornada nas Estrelas.
Um dia desses, ele descreveu toda aquela parafernália hightech: Bluetooth, infravermelho, foto panorâmica, filma em HD (High Definition) e 3D, internet, wireless, e-mail, e-book, MP3, aceita todos os formatos de vídeo, memória de 1 terabyte, alarme, touchscreen, TV, radio, jogos, orkut, tweeter, facebook, roda todos os aplicativos da Microsoft, etc, etc, etc.
E meu amigo ficou 1 hora e 15 minutos, descrevendo as maravilhas tecnológicas do seu celular. E eu acho que ele descreveria ad infinitum, se o magnífico telefone não tivesse tocado (em surround sound) naquele exato momento. Então, ele olhou para mim e disse: "Foi minha mulher quem ligou. Dá pra emprestar o teu celular? O meu tá sem créditos!"
Bem, eu emprestei para ele o meu celular baratinho, lowtech, sem acessórios, mas que podemos falar nele, pois ele recebe e faz ligações.
Eu comparo o celular do meu amigo aos políticos que fazem uma campanha caríssima, chamativa, cheia de discursos vagos e soluções impossíveis. Eles têm o potencial e todas as condições. Mas, depois que ganham as eleições, na hora em que o povo precisa deles... São inúteis!



